A actual
Associação Nacional de Grupos de Forcados (ANGF)
começou a ser projectada em meados do ano 2000.
Rodrigo Corrêa de Sá (Cabo do Grupo de Forcados
Amadores de Montemor-o-Novo), Diogo Palha (na altura Cabo
do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, posteriormente
elemento do Grupo de Forcados Amadores de Santarém)
e José Potier (na altura elemento do Grupo de Forcados
Amadores de Montemor-o-Novo e antigo elemento do Grupo de
Forcados Amadores de Coruche), durante várias conversas
começaram a enumerar as vantagens da constituição
de uma Associação de Forcados que defende-se
a figura do Forcado Amador.
Realizadas algumas reuniões entre estes foi elaborado
um projecto a apresentar aos Cabos dos Grupos de Forcados
que, na época de 2000, tinham realizadas maior número
de actuações em corridas de toiros. Foi então
marcada a primeira reunião para o dia 28 de Março
de 2001 em Vila Franca de Xira.
A ideia inicial era a constituição de uma
Federação que teria como nome Federação
Portuguesa dos Grupos de Forcados Amadores.
1ª Reunião – 28 de Março de 2001 – Vila
Franca de Xira
Da reunião, transcrevem-se as ideias
mestras apresentadas e propostas aos Cabos dos Grupos de
Forcados convidados a participar.
“Esta Federação tem como objectivo defender
os interesses dos Grupos de Forcados Amadores associados,
perante todas as entidades que das mais diversas maneiras
se possam relacionar com os Grupos, podendo estas, estarem
ou não ligadas à Tauromaquia Portuguesa:
- 1ª Fase –
A fase inicial do projecto, consiste na constituição
desta mesma Federação.
Para início serão convidados :
- Grupo de Forcados
Amadores de Santarém;
- Grupo de Forcados Amadores
de Montemor-o-Novo;
- Grupo de Forcados Amadores de Lisboa;
- Grupo de Forcados
Amadores de Vila Franca de Xira;
- Grupo de Forcados Amadores
de Évora;
- Grupo de Forcados Amadores do Aposento
da Moita.
Os Grupos convidados terão de constituir os estatutos
da federação e iniciar os trabalhos da mesma,
com vista à defesa dos Grupos associados já no
início da época de 2001.
(A primeira fase deverá ser constituída por
estes seis Grupos, porque actualmente são os que estão
com mais peso na tauromaquia nacional.)
- 2ª Fase –
Esta fase consiste no alargamento da federação,
a todos os Grupos de Forcados Amadores formados em associação,
que queiram ver os seus direitos defendidos por esta entidade.
(A segunda fase, que será antes do público
ter conhecimento da Federação, permetirá que
todos os Grupos se juntem.)
- 3ª Fase –
Ainda ligada à fase de arranque da Federação,
esta consiste em dar conhecimento a todas as pessoas ligadas
de alguma maneira aos Forcados Portugueses da existência
da mesma e do que ela defende.
Na sequência da comunicação anterior,
a Federação dará início aos seus
trabalhos, que consiste na defesa do Moço de Forcado.”
Foram também apresentadas as seguintes preocupações
:
“Relacionadas com o espectáculo e actuação
dos Grupos de Forcados :
- Enfermarias e Ambulâncias – Exigir que todas
as praças tenham enfermarias e ou no caso de uma praça
desmontável ambulâncias em condições,
juntamente com pessoal especializado.
- Bandarilha – As bandarilhas são responsáveis
por inúmeras lesões e algumas das poucas mortes
de forcados. Em Espanha surgiram bandarilhas com um sistema
incorporado que permite que, depois de espetadas elas não
fiquem apontadas e caiam sobre o lombo do touro. Pensamos
que estas farpas vão diminuir muito o risco desnecessário
que se corre quando se executam uma pega com as bandarilhas
que são utilizadas hoje em dia em Portugal. (Esta
situação teria de ser estudada em conjunto
com os senhores cavaleiros)
- Cabrestos – Exigir ao organizador do espectáculo
um jogo de cabrestos completo (7 cabrestos) e rodado
com o toiro bravo.
- Comunicação
Social – Tentar que todos
os órgãos de comunicação, tenham
a devida consideração pelos forcados e exigir
mais respeito sobretudo pela imprensa, que a maioria das
vezes nas suas crónicas apenas se limita a dizer
o nome dos forcados que pegaram.
- Despesas – deverá ser instalado um contrato
com todos os empresários tauromáquicos, que
exerçam a sua profissão em Portugal, para que
as mesmas sejam entregues aos responsáveis dos grupos
sem discussão e antes do início das corridas.
As despesas deverão ser estipuladas conforme a categoria
da praça. Poderá também existir uma
diferenciação das mesmas em dois níveis
de valores, sendo os grupos que entram em mais do que 15
espectáculos (de média durante um triénio)
cobrem um valor e os restantes outro.
Quem não cumprir as regras, no caso do empresário
fica sujeito a que nenhum Grupo da Federação,
volta a actuar para si. No caso de um Grupo associado receber
valores inferiores, ficará sujeito a ser excluído
da Federação.
A única excepção será as corridas
de beneficência onde os Grupos poderão actuar
sem receberem despesas.”
Dos Grupos de Forcados contactados só não
este presente o Grupo de Forcados Amadores de Santarém.
2ª Reunião – 11 de Abril de 2001 – Lisboa
Foi
apresentado pelo Rodrigo Corrrêa de Sá aos
restantes participantes na reunião um protótipo
de estatutos. Estes foram redigidos pelo advogado João
Potier (antigo elemento dos Grupos de Forcados Amadores de
Coruche e Lisboa) que a partir de uns estatutos de uma associação
taurina nacional elaborou para a Associação
Nacional de Grupos de Forcados o referido protótipo
dos estatutos.
Este documento estava dividido por :
- Estatutos,
- Regulamento Interno, e,
- Contrato a ser assinado entre os
Grupos de Forcados e os Empresários.
Durante a reunião foram efectuadas algumas considerações
sobre o documento apresentado pelo Rodrigo Corrêa de
Sá que ficou com a responsabilidade de, junto do João
Potier, saber da possibilidade de, juridicamente, proceder
com as alterações acordadas entre todoas.
3ª Reunião – 9 de Maio 2001 – Lisboa
Foram
apresentados os estatutos com as alterações
acordadas (as juridicamente possíveis) e analisados
outros aspectos de importância fulcral para a ANGF.
Foi decidido convocar os restantes Grupos de Forcados com
actividade em 2000 para apresentar o trabalho elaborado pelo
seis Grupos de Forcados durante as primeiras três reuniões.
Finda a 1ª Fase de reuniões havidas com os Cabos
dos Grupos de Forcados anteriormente mencionados passou-se
para a 2ª Fase, de acordo com o previsto na 1ª Reunião.
Lisboa 20 de Junho de 2001
Em 11 de Junho de 2001 foi enviada
a carta que se segue para todos os Cabos dos Grupos de Forcados
que actuaram na época
de 2000.
“Caro Amigo,
Porque há valores e princípios, direitos e
deveres que, devem ser comuns a todos os Grupos de Forcados,
vimos por este meio convida-lo a participar numa reunião
conjunta com os representantes de todos os Grupos Portugueses
que se encontraram em actividade na época de 2000.
Desde Março do presente ano que alguns Grupos se
têm reunido para debater aquilo que devem ser os direitos
e deveres dos mesmos.
Chegámos a diversas conclusões que achamos
de oportuna partilha com todos os representantes dos Grupos
de Forcados Amadores, com o propósito de fundar a
Associação Nacional de Grupos de Forcados (ANGF).
Esta Associação tem como objectivo representar
os Grupos que a ela pertençam perante todas as entidades
que de alguma maneira possam estar relacionadas com a tauromaquia
e em particular com os Grupos de Forcados.
A reunião terá lugar no próximo dia 20
de Junho (Quarta-Feira), pelas 21 horas no Monumento dos
Descobrimentos em Lisboa. Os Grupos de Forcados que queiram
participar poderão fazer-se representar por dois elementos.
Com a certeza da vossa melhor atenção despedimo-nos
com amizade”,
Assinava a carta o Rodrigo Corrêa de Sá e era
indicado, além do seu número de telemóvel,
o do Diogo Palha.
Estiveram presentes nesta 1ª Reunião, para a
qual foram enviadas a carta a todos os Cabos dos Grupos de
Forcados dos Grupos que actuaram na época de 2000,
os seguintes Cabos (com mais um elemento de cada Grupo) :
- Alcochete,
- Alter o Chão,
- Aposento do Barrete Verde de Alcochete,
- Aposento da
Chamusca,
- Aposento da Moita,
- Aposento do Montijo,
- Arronches,
- Aveiras de Cima,
- Azambuja,
- Caldas da Rainha,
- Cascais,
- Chamusca,
- Coruche,
- Évora,
|
- Golegã,
- Granja,
- Lisboa,
- Moita,
- Monforte,
- Montemor-o-Novo,
- Montijo,
- Moura,
- Ribatejo,
- Santarém,
- Sªº Mancos,
- Tertúlia do Montijo,
- Tomar,
- Vila Franca de Xira.
|
Faltaram a esta 1ª Reunião
os cabos dos Grupos de Forcados de :
- Agualva do Cacém,
- Elvas,
- Loures,
- Portalegre,
- Safara,
- Tertúlia Tauromáquica Terceirense.
Foram apresentados aos presentes os propósitos que
levaram a convocar a reunião com todos os Grupos de
Forcados e também a fornecido uma proposta de Estatutos,
Regulamento Interno e Contrato a vigorar na época
de 2002.
Explicados os motivos pelos quais se sentia a necessidade
de se constituir a ANGF, foi solicitado a todos que analisassem
o documento entregue para, em próxima reunião,
se procedesse com os ajustamentos entre todos acordados nesses
documentos.
Lisboa 25 de Julho de 2001
Da 2ª Reunião, transcreve-se
a,
“Ordem de Trabalhos
- Datas e prazos para a fundação e apresentação
da ANGF,
- Apresentação e discussão de
novas propostas,
- Aprovação dos artigos que
constituem os Estatutos e Regulamento Interno da
ANGF,
- Apresentação
de candidaturas para sócios
fundadores,
- Futuro da ANGF.
Esta reunião serve para definir todos os elementos
que vão reger a futura Associação Nacional
de Grupos de Forcados, assim como para a apresentação
de candidaturas a sócios Fundaores da ANGF.
As candidaturas dos Grupos de Forcados, para pertencerem à ANGF
deverão ser apresentadas até uma data a definir,
acompanhada dos seguintes documentos :
- Fotocópia do
cartão de pessoa colectiva,
- Fotocópia dos
Estatutos e do Regulamento Interno da Associação
do Grupo de Forcados que apresenta a candidatura,
- Corpos
dirigentes da mesma associação,
- Fotocópia
da acta da Assembleia Geral onde são
eleitos os corpos dirigentes (para provar quem está autorizado
a representar a associação em causa na
fundação
da ANGF).”
Nesta reunião estiveram representados os seguintes
Grupos de Forcados :
- Alter o Chão,
- Aposento do Barrete Verde de Alcochete,
- Aposento da Chamusca,
- Aposento da Moita,
- Aveiras de Cima,
- Azambuja,
- Caldas da Rainha,
- Cascais,
- Coruche,
- Évora,
- Golegã,
- Lisboa,
|
- Loures,
- Moita,
- Montemor-o-Novo,
- Montijo,
- Moura,
- Portalegre,
- Ribatejo,
- Santarém,
- Sªº Mancos,
- Tomar,
- Vila Franca de Xira.
|
Faltaram a esta 2ª Reunião os cabos dos Grupos
de Forcados de :
- Agualva do Cacém,
- Alcochete,
- Aposento do Montijo,
- Arronches,
- Chamusca,
- Elvas,
|
- Granja,
- Monforte,
- Safara,
- Tertúlia do Montijo,
- Tertúlia Tauromáquica Terceirense.
|
Nesta reunião foram apresentadas duas propostas de
alteração a alguns artigos dos Estatutos, Regulamento
Interno e Contrato, pela Associação do Grupo
de Forcados Amadores da Azambuja e pelo Real Grupo de Forcados
Amadores de Moura.
As propostas em causa foram apresentadas aos presentes e
estes, por acordo entre todos, registaram as alterações
a efectuar.
Lisboa 29 de Novembro de 2001
Na 3ª e ultima Reunião, foi apresentado a nova
versão dos Estatutos, Regulamento Interno e Contrato
de acordo com as alterações acordadas na 2ª Reunião.
Estes documentos foram aprovados por unanimidade, alínea
a alínea, artigo a artigo, tendo do seu resultado
emergido o documento que teve como base os princípios
da ANGF.
De todos os Grupos presentes, apenas o Grupo de Forcados
Amadores de Loures manifestou a intenção de
não pertencer a esta nova Associação.
Lisboa 26 de Janeiro de 2002
No auditório da Universidade Lusíada foi apresentado,
para o público em geral, a ANGF e os seus propósitos.
A 28 de Janeiro de 2002 já com a Associação
em plena actividade, remeteu para os senhores empresários
a carta que transcrevemos.
“Caro Empresário
Serve esta carta, para lhe comunicar que no passado dia
26 de Janeiro foi apresentado ao público, a ANGF,
Associação Nacional de Grupos de Forcados.
A nossa Associação tem como lema “Pela
Festa de Toiros em Portugal” e visa especificamente
a defesa dos Grupos de Forcados associados.
Esta apresentação serviu para transmitir a
todos as nossas propostas, onde estiveram presentes cerca
de duzentas pessoas, representantes das mais diversas entidades
ou simplesmente aficcionados.
Foi com muita pena nossa que, a maioria dos empresários
portugueses, não se fizeram comparecer.
Vimos por este meio comunicar-lhes, as decisões no
que respeita à contratação de um Grupo
de Forcados Associado, já para a época 2002.
O montante de despesas afixado tem em conta os seguintes
factores:
- Número de grupos que fazem parte do cartel.
- O escalão
a que o grupo de forcados pertence.
- A categoria da praça.
- E se o espectáculo tem
transmissão directa
em algum canal televisivo.
Considerando todos estes elementos, a ANGF obriga todos
os Grupos de Forcados associados a assinarem juntamente com
a empresa, um contrato de actuação regido por
clausulas contratuais, que são definidas em Assembleia
Geral todos os anos.
Todas as condições apresentadas, deverão
ser respeitadas. No caso de incumprimento de algumas das
cláusulas, esta Associação procederá conforme
regulamentado.
O Grupo de Forcados associado está sujeito a uma
pena de repreensão, suspensão ou expulsão.
A empresa contratante poderá ser vetada e nenhum Grupo
pertencente á ANGF actuará para a mesma.
Em anexo envia-mos uma cópia do contrato tipo e as
respectivas cláusulas contratuais.
Colocando-nos ao vosso dispor e sem outro assunto de momento”.
Assinava a carta o Presidente da Direcção – Rodrigo
Corrêa de Sá.
Com o início da temporada de 2002 a Associação
Nacional de Grupos de Forcados, tornou vinculativo a todos
os Grupos que a formaram as regras e preceitos estabelecidos
nas várias reuniões.
|